Cúria (Sede) Provincial
Largo da Luz, 11
1600-498 LISBOA
PORTUGAL
  Vida Consagrada  

  «A vida consagrada, profundamente arreigada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor, é um dom de Deus Pai à sua Igreja, por meio do Espírito. Através da profissão dos conselhos evangélicos, os traços característicos de Jesus — virgem, pobre e obediente — adquirem uma típica e permanente «visibilidade» no meio do mundo, e o olhar dos fiéis é atraído para aquele mistério do Reino de Deus que já actua na história, mas aguarda a sua plena realização nos céus.

  Ao longo dos séculos, nunca faltaram homens e mulheres que, dóceis ao chamamento do Pai e à moção do Espírito, escolheram este caminho de especial seguimento de Cristo, para se dedicarem a Ele de coração «indiviso» (cf. 1 Cor 7,34). Também eles deixaram tudo, como os Apóstolos, para estar com Cristo e colocar-se, como Ele, ao serviço de Deus e dos irmãos. Contribuíram assim para manifestar o mistério e a missão da Igreja, graças aos múltiplos carismas de vida espiritual e apostólica que o Espírito Santo lhes distribuía, e deste modo concorreram também para renovar a sociedade.» (Vida Consagrada, Exortação Apostólica de João Paulo II)

  De entre os muitos que «escolheram este caminho de especial seguimento de Cristo», encontram-se os franciscanos, cujo fundador, S. Francisco de Assis, dócil «ao chamamento do Pai e à moção do Espírito», nos deixou um testemunho fecundo de comunhão eclesial, fundada numa experiência profundamente cristológica. Com efeito, «Jesus Cristo, encarnado e morto por amor do homem, está no centro da espiritualidade de Francisco. Os mistérios da Encarnação e da Redenção são tudo para ele que procura aderir ao Mestre com tal imitação textual que é contrastado nisto também pelos seus. Deixando de lado toda a linguagem simbólica, característica da cultura medieval, o seu relacionamento com Cristo é directo, prescindindo de muitas mediações doutrinais. Deus para ele é verdadeiramente “Aquele que é”; e Jesus, Filho Unigénito do Pai e Filho de Maria, é o mestre e o companheiro na aventura humana, que da sua Redenção tira certeza e alegria. Francisco está em contínuo diálogo com Jesus Cristo; faz que Ele intervenha nos debates sobre a Regra, pede-Lhe conselho, conforto, auxílio. Pode-se dizer que ele vive na Sua contínua presença. É preciso reconhecer neste estilo franciscano uma fonte de perene autenticidade evangélica, uma escola sempre voltada para a origem, para a essência, para a verdade da vida cristã.

  Retornam aqui à mente as palavras sóbrias, mas incisivas de Tomás de Celano, referentes ao Santo: «a sua mais elevada aspiração, o seu dominante desejo, a sua mais firme vontade era observar perfeitamente e sempre o santo Evangelho e imitar fielmente com toda a vigilância, com todo o empenho, com todo o entusiasmo da alma e do coração a doutrina e os exemplos do Senhor nosso Jesus Cristo» ( vita prima 83). Isto valeu a Francisco o título de «Novo evangelista»; ele colocou de facto o Evangelho como fundamento da sua legislação e da sua vida espiritual, e resolveu à sua luz todos os problemas que se lhe apresentaram ao longo do caminho.” (João Paulo II, Discurso de encerramento do centenário…, 2 de Janeiro de 1983)


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