Fevereiro de 2011 é a data prevista para a inauguração da unidade de cuidados continuados «O Poverello» da Fundação Domus Fraternitas da Província Portuguesa da Ordem Franciscana.
As obras desta unidade com capacidade para 58 camas receberam ontem a visita da ministra da Saúde, que elogiou o trabalho que está a ser feito pela Província Portuguesa da Ordem Franciscana, em especial a preocupação revelada em acolher os doentes de sida, «disponibilidade difícil de encontrar» noutros locais.
A nova estrutura terá dez camas para os cuidados paliativos, 24 camas para cuidados de média duração e mais 24 camas para cuidados de longa duração, sendo que haverá uma atenção especial aos casos de sida.
Ana Jorge destacou que o centro de acolhimento tem «grandes condições para integrar a rede de cuidados continuados», agradecendo aos Franciscanos o contributo que estão a dar para aumentar a capacidade de resposta nesta área.
A governante sublinhou a «qualidade» do edifício e o espaço onde está implantado, que tem as condições ideais para proporcionar a recuperação ou melhorar a qualidade de vida de quem está em fase terminal ou a atravessar um momento delicado. «Braga e a região Norte vão ficar com recursos de grande qualidade na área da saúde», afirmou.
O Provincial dos Franciscanos destacou, por seu turno, que a obra resulta da convergência de vontades e de capacidades da Igreja, do Estado e da sociedade civil. Vítor Melícias lembrou que há uma década que luta a nível interno e até europeu pelo estabelecimento de vários tipos de parcerias, desde público-privadas até entre vários sectores da sociedade, defendendo que este é «um caminho no qual não podem ser dados passos atrás». Este responsável encarou a presença de Ana Jorge como «um estímulo importante» e como «garantia do apoio do Estado para o projecto».
Preocupação com doentes de sida
na génese do projecto
O presidente da Domus Fraternitas, Frei José Neves, lembrou que a ideia deste projecto «surgiu em 1993, quando houve um problema agudo de acolhimento de gente infectada com sida. «A partir do apelo lançado pela sociedade civil e pela Igreja, a Província Portuguesa tentou imediatamente fazer uma casa de acolhimento». «Não conseguimos concretizar esse projecto, mas fomos tentando encontrar formas de responder a esta preocupação», assegurou.
Este responsável explicou que foi por causa dessa necessidade que surgiu em primeiro lugar a Comunidade Terapêutica S. Francisco de Assis, que funciona em Celeirós, desde 2003, virada para a toxicodependência, mas também para a sida. «Com o programa Modelar lançámo-nos na construção deste centro de cuidados continuados, que representa a concretização de um sonho», afirmou.
A construção do centro de acolhimento «O Poverello» tem um custo que ultrapassa os 2,9 milhões de euros, sendo que 750 mil euros são assegurados pelo Governo, ao abrigo do programa Modelar I. Contudo, Frei José Neves disse que este valor não inclui algumas adaptações ao projecto inicial, o mobiliário e os arranjos exteriores, pelo que o custo global ascenderá a mais de 3,5 milhões de euros.
Este responsável referiu que o nome foi escolhido a partir da forma terna como o povo de Assis designava S. Francisco. Também o logótipo é simbólico, uma vez que apresenta, entre outros elementos, o laço da luta contra a sida e S. Francisco de Assis envolvido numa chama de amor, assente sobre a Bíblia e o mundo.
O objectivo é que a unidade possa «acolher toda a gente, seja de que raça for, rica ou pobre, venha de onde vier» e que quem chegar «encontre verdadeiro acolhimento, alegria e sentido de vida».
Em representação da equipa que projectou esta unidade, Rui Coimbra explicou que um edifício que já existia está a ser remodelado para, no rés-do-chão, albergar os serviços comuns a todas as valências, como a recepção, os serviços administrativos, o arquivo clínico, gabinetes e sala de reuniões. Num piso semienterrado haverá uma sala de formação. No piso superior, haverá serviços médicos comuns, ginásio e cabeleireiro. No último piso, com vista sobranceira sobre a cidade, existirá uma capela. Na parte que está a ser construída de raiz, no piso zero ficará a área destinada aos cuidados paliativos e nos dois pisos superiores as unidade de média e de longa duração.
Fonte: «Diário do Minho»
Domingo, 06 de Junho 2010