Em todas as sociedades se jogam constantemente os compromissos entre a continuidade e a transformação. Mesmo nas sociedades ditas tradicionais, os processos de transmissão não deixam de ter dentro de si a inovação — ou seja a tradição inclui a própria mudança. O que se passa na nossa cultura de modernidades múltiplas é em parte diferente.
Quando se fala de crise da transmissão, já não estão em causa apenas as adaptações intergeracionais, estão em causa as fracturas profundas que afectam as identidades, as alterações de escala e a aceleração da mudança. Essas fracturas correspondem a uma profunda remodelação das referências colectivas, a rupturas da memória cultural, a uma reorganização dos valores, ou seja, a uma ampla transformação dos fundamentos do laço social.


