Frei Nicolás nasceu na Candelária, Arquidiocese de Caracas, Venezuela, no dia 04 de maio de 1979, data em que aí residiam, como imigrantes, seus pais, Manuel Tomé Augusto de Almeida e Maria Emília Hipólito Torres. Regressados a Portugal, estes trouxeram o ainda menino «Nico» e estabeleceram-se na Apúlia, onde ainda residem. Profundamente crentes, deram ao filho uma educação esmerada, baseada nos valores da fé católica, que sempre guiou as suas vidas.
No tempo do despertar vocacional, «Nico» bateu à porta dos Frades Menores e teve acesso fácil, dada a sua personalidade já conhecida, enriquecida de grandes talentos, o maior dos quais a sua fé viva. Após as etapas de discernimento, preparação e formação na vida consagrada franciscana, fez a sua Consagração a Deus pela Profissão Solene na Fraternidade de São Boaventura de Montariol, Braga, a 26 de outubro de 2006, e aí ficou ao serviço da Ordem, ligado ao projeto social da «Domus Fraternitas» de apoio aos toxicodependentes, «Comunidade Terapêutica São Francisco de Assis», em Celeirós (Braga). Já Frade Menor, propôs-se não tomar qualquer decisão relativa à vocação sacerdotal, preferindo viver apenas preocupado com a sua doação generosa à Ordem e aguardando os desígnios de Deus.
De há cerca de um ano para cá «Frei Nico», por intermédio dos responsáveis da Ordem, viu-se interpelado sobre a vontade a vontade de Deus a seu respeito neste momento. Acabou por aceitar, com alegria, o forte desafio relativo ao seu futuro, optando também por abraçar o ministério sacerdotal. Os superiores destacaram-no para trabalhar na formação dos mais jovens, área em que se havia instruído academicamente. Aceitou ser colocado no Convento de Varatojo, como colaborador (vice-Mestre) na formação dos noviços, aproveitando o ambiente favorável desta casa de noviciado, onde se vive num clima de mais oração, discernimento, contemplação e trabalhos apostólicos variados, para a sua caminhada para o sacerdócio.
Foi ordenado Diácono na Sé Catedral de Leiria no dia 15 de Maio pelo Bispo de Leiria – Fátima, Dom António dos Santos Marto. Regressado ao seu posto de vida e trabalho em Varatojo, continuou a colaborar na formação dos Noviços e em vários trabalhos domésticos e apostólicos da Fraternidade, prosseguindo com o programa da formação académica já iniciado, em regime especial, em Madrid.
A sua ordenação sacerdotal aconteceu, por opção pessoal e vontade de seu Pároco, Padre Miguel Pereira e dos seus paroquianos, na igreja matriz da sua Paróquia de São Miguel da Apúlia. Pretendeu assim dar um testemunho vocacional aos seus conterrâneos e aos muitos jovens que de há muito o acompanham e beneficiam da sua dedicada doação. Escolheu também a data de 08 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal e da Ordem Franciscana, e como Bispo ordenante o seu confrade Dom Frei António Montes Moreira, Bispo-emérito de Bragança-Miranda.
A celebração revestiu-se da maior solenidade e dignidade. A Igreja matriz foi pequenina para acolher o grande número de participantes. A concelebrar, muitos sacerdotes franciscanos, destacando a presença do Ministro Provincial, Frei Vítor Melícias, e vários outros sacerdotes diocesanos. Presentes confrades não sacerdotes, estudantes de teologia, noviços e postulantes franciscanos, uma representação significativa de jovens da JuFra (juventude franciscana), de que ele é Assistente Espiritual na fraternidade de Varatojo, e uma verdadeira «igreja cheia» de fiéis. Entre eles os seus pais, visivelmente enternecidos e felizes, sem esquecer, claro, a presença do Pároco e toda a sua comunidade paroquial, abrilhantando a Liturgia com um excelente Grupo Coral, acompanhado de orquestra. Liturgia linda e viva!
Frei Nicolás escolheu como lema do seu ministério sacerdotal e da sua realização vocacional franciscana a afirmação de São Lucas (1,37): «A Deus nada é impossível». Muito fica por dizer sobre este acontecimento verdadeiramente feliz para a Igreja, a sociedade, a família Franciscana e em particular para a Fraternidade Franciscana do Convento de Varatojo e seus noviços, que o acompanharam e esperam continuar a beneficiar da sua preciosa companhia. Por tudo louvamos a Deus.
Para «Frei Nico», deixamos-te as palavras do pai São Francisco: «Eis que Ele...cada dia vem até nós em aparências de humildade... desce do seio do Pai, sobre o altar, para as mãos do sacerdote» (Exortação I). Eis o teu serviço, querido irmão Frei Nicolás.
Frei Armindo Carvalho, ofm
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