Direção: Frei Luís de Oliveira Lisboa, 20 de janeiro de 2012 Ano V

n.º 26

Sim, amemos a Deus e adoremo-lo com um coração puro e alma simples, porque é isso o que ele mais que tudo deseja quando afirma: Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Porque todos os que o adoram, devem adorá-lo em espírito e verdade.

São Francisco de Assis
Carta a Todos os Fieís (2ª redação) 19-21


Curso sobre Espiritualidade Franciscana

A vida espiritual não é um andar em procura de novidade, mas um salto em profundidade, até ao íntimo da pessoa. Assim foi com São Francisco de Assis, cuja vida é a de quem não procurou técnicas espirituais e fórmulas psicológicas para dar conteúdo à sua existência, mas entrou em si mesmo para limpar o coração de tudo o que lhe impedia viver feliz. A felicidade que ele descobriu e viveu em Deus, na comunhão com o seu Senhor, Jesus Cristo

O Centro Cultural Franciscano, no âmbito das suas atividades, vai realizar um Curso de Espiritualidade Franciscana, orientado por Frei Luís de Oliveira, da Ordem dos Frades Menores (Franciscanos), de Fevereiro a Junho do presente ano de 2012.

Para mais informações sobre o conteúdo do Curso e o local onde decorrerá, ver aqui



Semana de Oração pela Vocação Franciscana

A Província Portuguesa da Ordem Franciscana celebrou de 09 a 16 de janeiro de 2012, a Semana de Oração pela Vocação Franciscana. Neste ano, somos convidados a ousar acreditar que só a Caridade nos impele a seguir as pegadas de Nosso Senhor Jesus Cristo

Como São Francisco de Assis, queremos continuar a amá-l'O «com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todo o nosso espírito, com toda a coragem e fortaleza, com toda a inteligência e com todas as forças, com toda a boa vontade e afeto, com todas as entranhas, com as ânsias todas da alma».

Ao longo dos anos, as propostas de celebração da Semana de Oração pela Vocação Franciscana têm sido valiosos instrumentos de partilha. A oração, como meio que fortalece as nossas relações fraternas, torna-se também num instrumento favorável à consecução do sentido de pertença ao carisma de minoridade que nos une.

As principais celebrações tiveram lugar no «Externato da Luz», em Lisboa, destacando-se a realização da Vigília Vocacional; no Convento de São Francisco, em Leiria, (onde se localiza a Fraternidade de Acolhimento Juvenil Vocacional), com Vigília Vocacional à qual se associaram os irmãos Noviços; e no Mosteiro das Irmãs Clarissas, em Montalvo, com a presença de largas dezenas de jovens e do Assistente Nacional das Clarissas, Frei Armindo Carvalho (na Vigília) e do Ministro Provincial, Frei Vítor Melícias (na Missa votiva dos Santos Mártires de Marrocos).

«Caritas Christi urget nos!». É o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar. Hoje, como outrora, Ele envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra. Com o seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo.

Porta Fidei, Carta Apostólica de Bento XVI (nº 7)



Abertura do

Centro de Acolhimento «O Poverello»

No dia 02 de janeiro de 2012, abriu oficialmente o Centro de Acolhimento de Cuidados Continuados «O Poverello», situado em Montariol, Braga

Na ocasião da solene abertura, Frei José Pereira das Neves, Director de «O Poverello», dirigiu uma especial saudação aos cooperadores (funcionários), manifestando a sua alegria pela concretização deste sonho, alicerçado num mar de orações e num oceano de almas generosas, que irrigaram a esperança e o projecto com os seus valiosos donativos e ofertas. Posteriormente procedeu-se à assinatura dos contratos de trabalho, depois do qual se seguiu um almoço-convívio. Mais tarde, foi celebrada Eucaristia, presidida por Frei José Neves, concelebrada por alguns sacerdotes do Convento de Montariol.

Aos colaboradores deste projecto de acção social, o Director informou sumariamente sobre o contributo da Província Portuguesa da Ordem Franciscana, bem como sobre as ofertas de tantos anónimos, do empréstimo bancário e de muitas outras ajudas indispensáveis. Referiu também algumas questões práticas, tais como a motivação dos familiares dos doentes para serem generosos na colaboração concreta no acompanhamento dos doentes; a presença assídua, a ajuda na higiene e nas refeições, na toma dos medicamentos etc. e o apelo à generosidade dos mesmos com os seus donativos, corresponsabilizando também as famílias pelo processo dos seus doentes sem permitir que estas os coloquem à margem. Para isso, e nessa mesma linha, exortou a que a forma de trabalhar de todos não permita «presenças anónimas» e se crie um espírito solidário porque, afirmou, «uma sociedade sem solidariedade é uma sociedade sem futuro!»

Houve também tempo de formação/informação sobre o funcionamento deste Centro de Acolhimento e orientações gerais, logística etc. sob a responsabilidade do Dr. Carlos Miguel Gonçalves, seguido de diálogo durante o qual foram abordados os elementos essenciais do carisma de «O Poverello», particularmente no que se refere ao acolhimento, à espiritualidade, à forma de trabalhar, e de receber todas as pessoas.

Na Eucaristia, com a especial presença dos enfermeiros, dos assistentes operacionais com alguns familiares, foi subscrito um documento intitulado «Vínculo de Identificação com "O Poverello"» cujo teor era, em síntese, o seguinte: Trabalho profissional de qualidade segundo as normas do respectivo código deontológico; Acolhimento fraterno do "outro" como pessoa humana e um ser transcendente; Defesa intransigente dos valores da vida e da liberdade religiosa, Serviço profissional alicerçado nas virtudes da justiça e da caridade; Testemunho de fé coerente em Deus, que ajude o paciente a encontrar o sentido sobrenatural da sua existência; Irradiação cativante do "espírito" de Francisco de Assis, o "Irmão Universal"- cantor da Alegria, da paz e do bem!

No dia três de janeiro, foram recebidos os três primeiros doentes. A ocupação do Centro de Acolhimento «O Poverello» decorre de forma faseada, entrando, em média, três doentes por dia. À data da publicação desta notícia, conta já com cerca de quarenta utentes, mas prevendo-se que, até ao fim de Janeiro, ou seja, em menos de trinta dias, todas as camas disponíveis sejam ocupadas e o Centro esteja a funcionar em pleno, com dez utentes nos cuidados paliativos, vinte e quatro utentes em tratamentos de média duração e vinte e quatro utentes em tratamentos de longa duração, num total de cinquenta e oito utentes.



Natal em Montariol

Natal desarranjado?! Pode lá ser!
Assim pensarão os que não admitem conceber o Natal do desarranjo. Pois é verdade, este desarranjo divino aconteceu no Convento de São Boaventura, em Montariol - Braga, na noite de Natal do ano de 2011


Não deveria o Guardião, num «respeito» pela tradição, palmilhar os corredores do Convento, batendo à porta dos frades que, por sua vez, abrindo as portas das suas «celas», ajoelhariam reverentes e beijariam, em comoção, a imagem do Menino, que o Guardião deveria levar em suas mãos, ao som do «Christus natus est nobis, venite adoremus!»?

Pois não senhor! Num desafio a toda a comunidade, o Guardião diligenciou, ele mesmo, pressuroso, que se encontrasse o Menino pobre, que esperava que alguma porta se lhe abrisse, para cear na noite de Natal com o aconchego de uma mesa fraterna. E disse aos frades: - Desculpem meus Irmãos, se vos vou desarranjar o Natal!

Terá Montariol alguma vez visto coisa assim?! Vinte e quatro pobres, uns de bens materiais, outros de afectos, outros na penúria de um abandono que se faz sentir mais forte nesta noite santa, orientados pela Caritas e pela Cruz Vermelha Portuguesa, entraram para cear com os frades que não regatearam gestos de prodigalidade e atenção aos convidados que deram mais autenticidade à ceia conventual e lhe transmitiram um perfume natalício bem ao jeito de São Francisco de Assis. E as paredes do Convento viram-se transformadas nas paredes da gruta do nascimento, tornando Montariol numa outra Belém.

Se a Eucaristia foi o prelúdio de uma grande noite, tendo terminado com o tradicional beijar do Menino, às mãos do nosso Diácono, Frei Perdigão, a refeição dos convidados foi o banquete dos frades e a sua alegria foi o sorriso dos convivas, o seu olhar agradecido, o seu semblante de espanto e aquela explosão de júbilo que nem uns nem outros conseguiam disfarçar. Mas, a verdade é que nós, os frades, estávamos recebendo muito mais do que eles, os deserdados da sorte ou de aconchego. É que, ao acolhê-los, acabamos por acolher o próprio Cristo e entramos na Ceia da Eucaristia, Pão Divino para todos, e na mesa fraternal da solidariedade partilhada. E, unidas as nossas vozes, decoramos o final da ceia com cânticos de Natal, que também foram soltos em melodia de Timor Lorosae, pelos irmãos daquela nação, frades que vivem neste Convento em tempo da sua formação.

E foi tudo tão simples…tudo tão espontâneo, tudo tão familiar…tudo tão franciscano. O «Natal desarranjado» aconteceu em Montariol e, no meio desse «desarranjo», Jesus refez o Natal dos Frades que, não podendo fazer o milagre da multiplicação, fizeram o milagre da partilha. Uma partilha que não passou apenas pelos alimentos da mesa, mas pela companhia salutar do conforto que desagrada à solidão, da alegria que irrita a tristeza, do bem-estar humano que destrói a frieza do desaconchego e do acolhimento que desterra o desamparo.

E foi assim que, naquela Noite Santa, o Divino Menino renasceu no coração de cada frade, na vida de cada um daqueles que se sentiram acolhidos, superando tanta indiferença à sua volta ou um mundo indiferente ao seu abandono.

E a velha tradição do despertar do Menino?! Homessa! Foi lançado às urtigas?! Direi antes que foi uma tradição que se transformou num despertar de corações e num bater à porta da cela do mundo, para que se deixe seduzir pelo espírito franciscano da gruta de Belém, da gruta de Greccio e da gruta do Convento do qual o frade deve ser testemunha viva e palpitante.

Frei José Dias de Lima, ofm



Frei Hermínio de Araújo eleito para a APCP

No dia 18 de Dezembro de 2011, Frei Hermínio Gonçalves de Araújo, franciscano e membro da Equipa de Cuidados Paliativos do Hospital do Mar (Bobadela), foi eleito membro dos corpos gerentes da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) para o triénio 2012-2014

A eleição decorreu na Assembleia Geral Extraordinária realizada no Auditório do Hospital da Luz, em Lisboa.

Nos corpos gerentes eleitos estão membros das principais áreas profissionais que compõem as equipas destes cuidados de saúde. Frei Hermínio ocupar-se-á sobretudo da área do acompanhamento espiritual e religioso.

O presidente da direção desta Associação é agora Manuel Luís Capelas, enfermeiro e professor do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa.


Frei António Fernandes
condecorado pelo Exército Português

Frei António Fernandes Teixeira, Sacerdote Franciscano, Coronel Graduado do Serviço de Assistência Religiosa, foi condecorado pelo Chefe do Estado-Maior do Exército, General José Luís Pinto Ramalho, com a Medalha de Mérito do Exército – 1.ª Classe – «Dom Afonso Henriques»

De acordo com a Ordem de Serviço 136 do Comando de Pessoal, onde foi exarado público Louvor, Frei António Teixeira serviu o Exército Português, durante vinte e nove anos, de «forma exemplar, extraordinariamente competente, notável e dedicada» tendo «prestigiado a Instituição Militar» e prestado serviços «extraordinários, relevantes e distintos».

Frei António Teixeira iniciou a sua carreira militar em 1981, tendo prestado serviço em diversas unidades onde «mercê da sua total e generosa entrega e vivência irrepreensível, deixou um testemunho marcante e autêntico de inexcedível dedicação, em linha com o seu espírito franciscano de simplicidade, simpatia e imensa bondade».

Ao longo da sua carreira militar recebeu diversos louvores e condecorações e, no epílogo da sua carreira, foi graduado em Coronel e nomeado Capelão Adjunto do Centro de Assistência Religiosa do Exército. Tendo passado à reforma, a 29 de Dezembro de 2010, disponibilizou-se para continuar a servir voluntariamente o Exército.

Ver Diploma e Louvor



Família Franciscana Portuguesa
elege nova direção

A Família Franciscana Portuguesa, reunida em 71.ª Assembleia-geral, na casa das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, em Fátima, elegeu nova direção para o triénio 2011/2014


A Assembleia-geral foi presidida por Frei Vítor José Melícias Lopes, Ministro Provincial dos Franciscanos em Portugal (OFM) e Presidente da Família Franciscana Portuguesa, e contou com a participação de larga maioria dos superiores maiores dos institutos religiosos filiados.

Após momento de oração e avaliação dos eventos do «Ano Jubilar do Espírito de Assis», foi eleita a nova Direção da Família Franciscana Portuguesa, como segue:

Presidente: Frei Vítor José Melícias Lopes (Ordem dos Frades Menores)
Secretária: Irmã Jacinta Neves (Franciscanas de Nossa Senhora)
Tesoureiro: Irmão Reinaldo Santos (Ordem Franciscana Secular)
Vogais: Frei António Silva Martins (Ordem dos Frades Menores Capuchinhos)
e Irmã Maria de Lurdes Farinha Alves (Franciscanas Missionárias de Maria)

De seguida passou-se à eleição do Diretor do Centro de Franciscanismo, tendo sido reconduzido no cargo, por unanimidade, o Frei Daniel António Silveira Teixeira, da Ordem dos Frades Menores.

A reunião terminou com a apreciação e aprovação do Plano de Atividades da Família Franciscana Portuguesa para 2012, de que oportunamente se dará conta.



Ordenação Presbiteral
de Frei Manuel Nicolás Almeida

Frei Manuel Nicolás Hipólito de Almeida é o novo presbítero franciscano da Província Portuguesa da Ordem dos Frades Menores. Foi ordenado na igreja matriz da sua terra natal, Apúlia (Esposende), no dia 8 de dezembro de 2011, pelo Bispo-emérito de Bragança-Miranda, Dom Frei António Montes Moreira


Frei Nicolás nasceu na Candelária, Arquidiocese de Caracas, Venezuela, no dia 04 de maio de 1979, data em que aí residiam, como imigrantes, seus pais, Manuel Tomé Augusto de Almeida e Maria Emília Hipólito Torres. Regressados a Portugal, estes trouxeram o ainda menino «Nico» e estabeleceram-se na Apúlia, onde ainda residem. Profundamente crentes, deram ao filho uma educação esmerada, baseada nos valores da fé católica, que sempre guiou as suas vidas.

No tempo do despertar vocacional, «Nico» bateu à porta dos Frades Menores e teve acesso fácil, dada a sua personalidade já conhecida, enriquecida de grandes talentos, o maior dos quais a sua fé viva. Após as etapas de discernimento, preparação e formação na vida consagrada franciscana, fez a sua Consagração a Deus pela Profissão Solene na Fraternidade de São Boaventura de Montariol, Braga, a 26 de outubro de 2006, e aí ficou ao serviço da Ordem, ligado ao projeto social da «Domus Fraternitas» de apoio aos toxicodependentes, «Comunidade Terapêutica São Francisco de Assis», em Celeirós (Braga). Já Frade Menor, propôs-se não tomar qualquer decisão relativa à vocação sacerdotal, preferindo viver apenas preocupado com a sua doação generosa à Ordem e aguardando os desígnios de Deus.

De há cerca de um ano para cá «Frei Nico», por intermédio dos responsáveis da Ordem, viu-se interpelado sobre a vontade a vontade de Deus a seu respeito neste momento. Acabou por aceitar, com alegria, o forte desafio relativo ao seu futuro, optando também por abraçar o ministério sacerdotal. Os superiores destacaram-no para trabalhar na formação dos mais jovens, área em que se havia instruído academicamente. Aceitou ser colocado no Convento de Varatojo, como colaborador (vice-Mestre) na formação dos noviços, aproveitando o ambiente favorável desta casa de noviciado, onde se vive num clima de mais oração, discernimento, contemplação e trabalhos apostólicos variados, para a sua caminhada para o sacerdócio.

Foi ordenado Diácono na Sé Catedral de Leiria no dia 15 de Maio pelo Bispo de Leiria – Fátima, Dom António dos Santos Marto. Regressado ao seu posto de vida e trabalho em Varatojo, continuou a colaborar na formação dos Noviços e em vários trabalhos domésticos e apostólicos da Fraternidade, prosseguindo com o programa da formação académica já iniciado, em regime especial, em Madrid.

A sua ordenação sacerdotal aconteceu, por opção pessoal e vontade de seu Pároco, Padre Miguel Pereira e dos seus paroquianos, na igreja matriz da sua Paróquia de São Miguel da Apúlia. Pretendeu assim dar um testemunho vocacional aos seus conterrâneos e aos muitos jovens que de há muito o acompanham e beneficiam da sua dedicada doação. Escolheu também a data de 08 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal e da Ordem Franciscana, e como Bispo ordenante o seu confrade Dom Frei António Montes Moreira, Bispo-emérito de Bragança-Miranda.

A celebração revestiu-se da maior solenidade e dignidade. A Igreja matriz foi pequenina para acolher o grande número de participantes. A concelebrar, muitos sacerdotes franciscanos, destacando a presença do Ministro Provincial, Frei Vítor Melícias, e vários outros sacerdotes diocesanos. Presentes confrades não sacerdotes, estudantes de teologia, noviços e postulantes franciscanos, uma representação significativa de jovens da JuFra (juventude franciscana), de que ele é Assistente Espiritual na fraternidade de Varatojo, e uma verdadeira «igreja cheia» de fiéis. Entre eles os seus pais, visivelmente enternecidos e felizes, sem esquecer, claro, a presença do Pároco e toda a sua comunidade paroquial, abrilhantando a Liturgia com um excelente Grupo Coral, acompanhado de orquestra. Liturgia linda e viva!

Frei Nicolás escolheu como lema do seu ministério sacerdotal e da sua realização vocacional franciscana a afirmação de São Lucas (1,37): «A Deus nada é impossível». Muito fica por dizer sobre este acontecimento verdadeiramente feliz para a Igreja, a sociedade, a família Franciscana e em particular para a Fraternidade Franciscana do Convento de Varatojo e seus noviços, que o acompanharam e esperam continuar a beneficiar da sua preciosa companhia. Por tudo louvamos a Deus.

Para «Frei Nico», deixamos-te as palavras do pai São Francisco: «Eis que Ele...cada dia vem até nós em aparências de humildade... desce do seio do Pai, sobre o altar, para as mãos do sacerdote» (Exortação I). Eis o teu serviço, querido irmão Frei Nicolás.

Frei Armindo Carvalho, ofm

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Franciscanos em Mafra

Para assinalar os 300 anos da fundação do Real Convento de Mafra, onde viveram os Franciscanos da Província da Arrábida até 1833, realizou-se, no dia 04 de dezembro de 2011, na Basílica Conventual, um concerto a seis órgãos e uma missa solene cantada pelo Coro Mater Dei, de Lisboa

Presidiu à Eucaristia o Ministro Provincial da Ordem Franciscana, Frei Vítor Melícias, tendo concelebrado o Vigário Provincial, Frei Armindo Carvalho, o Vigário Geral do Patriarcado de Lisboa, outros sacerdotes diocesanos, e o Diretor do Centro de Franciscanismo da Família Franciscana Portuguesa, Frei Daniel Teixeira. Compareceu grande número de fiéis, e estiveram presentes os Noviços (candidatos à vida franciscana que atualmente se encontram no noviciado) do Convento de Varatojo (Torres Vedras).

Esta data foi escolhida por corresponder ao dia do nascimento da Princesa Dona Maria Bárbara de Bragança (04 de dezembro de 1711), pois a construção deste Convento ficou intimamente ligada a uma promessa de sucessão ao trono feita pelo Rei Dom João V. O Rei, por sugestão do Franciscano Arrábido Frei António de São José, fez voto a Nossa Senhora e a Santo António, de mandar edificar um convento em Mafra se e quando ocorresse o nascimento do seu primogénito, no caso, Dona Maria de Bragança. As obras iniciaram-se em 1717 e a basílica foi sagrada a 22 de outubro de 1760, dia do 41.º aniversário do rei.

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Em memória da Irmã Maria José, osc

No dia 05 de Janeiro deste ano de 2012, pelas 05h30 faleceu, no Hospital Egas Moniz, em Lisboa, a Irmã Maria José Gonçalves Mão Cheia, OSC. Paz à sua Santa Alma! Nascida a 22 de Fevereiro de 1924 no concelho de Arco da Calheta, Ilha da Madeira, teve uma vida longa: 88 anos. Vida, toda ela, gasta em permanente serviço ao Reino de Deus e Seu Louvor e Glória


Recordando o seu percurso de vida

Ainda menina e jovem, tomou a corajosa decisão de se consagrar ao Senhor. Essa entrega começou na Congregação da Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, na Ilha da Madeira. Como seu membro, deu-se à missão, «Ad Gentes» em Moçambique durante cerca de 20 anos.

Alma inquieta, sempre ansiou por uma maior proximidade e intimidade com Deus. Esse anseio levou-a ao Mosteiro de Irmãs Clarissas de Nossa Senhora do Rosário, em Fátima, onde foi recebida a 13 de Junho de 1970. Neste ambiente de clausura e intimidade iniciou a última e decisiva etapa da sua vida consagrada, agora embalada ao ritmo do carisma contemplativo, ao jeito de Clara e Francisco de Assis. Neste Mosteiro viveu oito anos consecutivos, dedicada ao serviço das Irmãs, incluindo à difícil tarefa da formação, como Mestra de Noviças. Transferida para o Mosteiro do Santíssimo Sacramento de Sintra, continuou a servir as Irmãs, também como Abadessa e depois Presidente da Federação do Imaculado Coração de Maria das Clarissas de Portugal, tarefa que desempenhou com amor, inteligência e total dedicação.

Os últimos 17 anos da sua já longa vida decorreram no Mosteiro do Imaculado Coração de Maria, à Estrela, em Lisboa. De sorriso contagiante, tanto dentro da Comunidade, como no contacto com as pessoas da sociedade que a procuravam para ajuda aos seus problemas espirituais, a todos cativava para a subida ao Alto. A forma alegre de viver na terra era já um preâmbulo da alegria eterna que Seu Amado Deus e Esposo lhe reservava. É recordada com saudade e muito carinho por todas e cada uma das suas irmãs e por quantos a procuraram e dela receberam conforto e coragem para as suas vidas.

O último mês de vida terrena foi vivido em entrega mais exigente, crucificada na sua cama do Hospital Egas Moniz. Enfermeira de profissão, conjugando o serviço da saúde com a pregação do Reino, ficou agora necessitada das que são hoje médicos e enfermeiros e do carinho permanente das suas irmãs do Mosteiro da Estrela e de outros amigos que nunca a deixavam sozinha. Outrora comunicava alívio e paz aos seus doentes. Agora recebe-o e partilha-o com quem a visita e com as colegas internadas na mesma enfermaria. Foi a mais bela pregação da sua vida: o sofrer e ensinar a sofrer no aguardar da libertação total desse corpo mortal. Pregava pela palavra humilde e pelo sorriso sincero e profundo. Os seus olhos, límpidos e transparentes, substituíam, com vantagem, as mais sábias pregações.

Diz o Livro da Sabedoria que A morte do homem revela as suas obras. Antes do fim, não chames a ninguém feliz, pois pela morte se conhece o homem. A verdade é que a forma como terminou a vida, foi manifestação de sabedoria amadurecida ao longo dos anos de permanente contemplação e contacto íntimo com o Seu Esposo Amado e os seus Irmãos. Grande a amizade que sempre dedicou à Família da Ordem dos Frades Menores (Franciscanos). Um carinho especial aos seus noviços, e um mais especial ainda ao seu afilhado de adoção, Frei Manuel Nicolás Hipólito de Almeida. Para ele, toda a força da sua fala persuasiva e oração dedicada, acompanhando o ser percurso vocacional, particularmente na última decisão pela vocação sacerdotal.

À Missa de Corpo Presente, celebrada na Basílica da Estrela, presidiu este seu afilhado preferido, Frei Nicolás Almeida, que afirmou na homilia:

«Na paráfrase das Bem-aventuranças, escrita por Santa Clara a Santa Inês de Praga, encontramos estas afirmações: Se com Ele sofreres, com Ele reinarás; se com Ele chorares, com Ele exultarás; se com Ele morreres na cruz da tribulação, com Ele habitarás na glória dos santos, na mansão celeste, e teu nome será gravado no Livro da Vida e para sempre glorificado entre os homens.

São muitas as semelhanças destas palavras com a vida da nossa querida Irmã Maria José Mão Cheia! Todos nós que a conhecemos, pudemos experimentar um pouco daquela luz divina que a habitava mesmo nos últimos momentos da sua vida. Já não era ela que vivia, mas Jesus que vivia nela, o astro amado que ela tanto contemplava, mesmo nas noites da vida e do sofrimento.

As suas palavras, cheias de naturalidade, iluminavam os nossos corações quando nos dizia: «tenho o Céu em mim!» Um pouco da glória de Deus se manifestava na sua paz, no sorriso, na sua oração. Queria dizer-nos que todas as nossas preocupações e sofrimentos ganham novo sentido junto de Deus. Na luz que ela irradiava, também nós éramos conduzidos à Luz verdadeira. No Céu viveu-se grande alegria quando lá se ouviram as palavras: Vem, bendita de meu Pai, minha esposa, minha predilecta. Recebe em herança o Reino preparado para ti desde a criação do mundo. Vem, bendita de meu Pai. Hoje sabemos que o Céu existe. E o nome da Irmã Maria Mão Cheia está escrito no Livro da vida e será glorificado entre nós.»

A terminar: Desde que soubemos da sua doença, eu, o Frei Nicolás e os irmãos Noviços OFM fomos várias vezes visitá-la, tanto ainda no Mosteiro da Estrela, como, depois, no hospital.

Às 19h30 do dia da sua morte foi celebrada Missa de Corpo Presente na Capela mortuária da Basílica da Estrela, presidida por mim e concelebrada pelo Reitor da Basílica, Cónego Meirim, Frei Nicolás Almeida, e outros sacerdotes diocesanos e franciscanos. À Missa de Corpo Presente, antes do funeral, presidiu Frei Nicolás Almeida, e acompanhámos ao cemitério do Alto de São João os seus restos mortais.

Para louvor de Cristo. Ámen!

Frei Armindo de Jesus Ferreira Carvalho, ofm
Assistente Religioso da Federação das Clarissas de Portugal



Franciscano irlandês
nomeado primeiro bispo de La Ceiba

O Santo Padre Bento XVI nomeou Frei Michael Lenihan, Franciscano (OFM), como primeiro bispo de La Ceiba (área de 4.640 m2 e 547.709 habitantes, sendo 398.800 católicos, 22 sacerdotes e 42 religiosos) nas Honduras

Frei Michael Lenihan, bispo eleito de La Ceiba, nasceu em 1951 em Abbeyfeale (Irlanda), fez a sua profissão solene em 1977 e foi ordenado sacerdote em 1980. Estudou filosofia na Universidade Nacional de Galway (Irlanda) e teologia na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino e na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma - Itália).

Foi diretor espiritual, vigário paroquial, pároco e definidor provincial nas Honduras. Desde 2009 era Guardião da Fraternidade de São Boaventura onde se localiza a Cúria Provincial dos Frades Menores e vigário da paróquia do Imaculado Coração de Maria na Guatemala.


Outras leituras...

ITINERARIUM - Revista Quadrimestral de Cultura -

Os Franciscanos e a República
A questão da «Voz de Santo António»

De janeiro de 1895 até abril de 1910, isto é, até poucos meses antes da implantação da República, os Franciscanos portugueses publicaram a revista mensal Voz de Santo António em Montariol, Braga.

Cem anos depois, vale a pena continuar a lembrar esta Voz, para que continue a haver vozes que não se calem em defesa de uma sociedade mais esclarecida em que a Verdade liberta.


Francisco, o pobre de Assis
Inácio Larrañaga - Editorial Franciscana

Já passaram muitos anos e alguns séculos desde que Frei Masseu perguntou insistentemente a Francisco: «Porque a ti? Porque a ti? Porque a ti?», tal como aparece nas Florinhas de Francisco e seus companheiros. A pergunta mantém-se viva hoje e, com estranheza e até com emoção, continuamos a perguntar por que é que o irmão Francisco, «o pobre de Assis» continua a ter tantos seguidores e por que é que a sua palavra e, sobretudo, a sua vida continua a convocar, seduzir e arrastar.

Não é fácil encontrar uma resposta acertada, mas adivinhamos que em Francisco se encontra o melhor de nós mesmos, o melhor da vida, o melhor de Deus e de Jesus Cristo a quem Francisco seguiu com tanta paixão e lucidez; e em Francisco encontra-se o melhor da Igreja, o melhor dos irmãos e também o melhor da criação. O «pobre de Assis» foi e continua a ser uma espécie de espelho onde as nossas perguntas se tornam resposta, onde os nossos desejos mais nobres tomam corpo e carne, onde as nossas utopias alcançam verdade e realismo.

Ignacio Larrañaga é franciscano capuchinho. Missionário na América do Sul, co-fundador do «Centro de Estudos Franciscanos». Em 1974 começou os «Encontros da Experiência de Deus». Em 1984 fundou as «Escolas de Oração e Vida». Autor de várias obras, entre elas A arte de ser feliz, publicada pela Editorial Franciscana.


Chamo-me Clara de Assis
Gadi Bosh Pons - Editorial Franciscana

Este livro aproxima-nos, com um estilo narrativo simples, do coração de Santa Clara. Não se trata de uma biografia detalhada, nem de um tratado de espiritualidade franciscana; antes pretende ser uma aproximação cordial à santa de ontem capaz de dialogar connosco hoje, na passagem da celebração do VIII Centenário da fundação da Ordem de Santa Clara (1212).

Um livro posto ao serviço e toda a pessoa que sinta interesse pela busca de Deus, o seguimento de Jesus, a oração, a contemplação... e que queira perceber as vibrações do primeiro latejo da vida franciscana.

Gadi Bosch Pons, irmã clarissa. Desde 1980, da comunidade das Irmãs Clarissas do Mosteiro de Santa Clara da Ciutadella de Menorca.



Doutores da Igreja
Bento XVI - Editorial Franciscana

Continuando a missão de tornar mais conhecida a palavra do sucessor de Pedro, a quem Francisco chamava de «Senhor Papa», a Editorial Franciscana publica novo livro que coleciona as Catequeses proferidas por Bento XVI sobre os Doutores da Igreja: Santa Teresa de Ávila; São Pedro Canísio; São João da Cruz; São Roberto Belarmino; São Francisco de Sales; São Lourenço de Bríndisi; Santo Afonso Maria de Ligório e Santa Teresinha do Menino Jesus.

Conhecer a vida, obra dos que a Igreja considera seus Doutores, é convite a renovada atitude rumo à santidade.


Caminhos de Francisco
Ordem Franciscana Seular

O Conselho Nacional da Ordem Franciscana Secular (também conhecida como Ordem Terceira de São Francisco), juntamente com a Conferência Nacional de Assistentes (que reúne representantes dos três ramos da Primeira Ordem: Observantes, Capuchinhos e Conventuais), edita a revista de formação franciscana «Caminhos de Francisco».

Dedicada, de forma especial, aos muitos irmãos que são, em Portugal, o braço secular da Ordem Franciscana, esta revista trimestral, que conta já com 12 anos de existência e 61 números editados, é fecundo sinal do espírito de Assis.